O aperto rápido surgiu para facilitar a vida dos ciclistas. É uma peça essencial para quem não quer perder tempo a apertar e desapertar parafusos. Além disso, veio revolucionar o tempo de troca de rodas suplentes, particularmente em competição. Mas usar a peça de forma errada ou perigosa ainda é comum.

O aperto rápido tem diversos nomes: blocagem, chaveta e, a sua versão em inglês, quick release. Todos esses nomes identificam a peça cilíndrica que fica dentro dos eixos das rodas das bicicletas e apertam a roda, tanto à escora do quadro como à forqueta. Por isso, facilitam muito a retirada e a colocação das rodas.

A lei da mecânica que age na movimentação dos apertos rápidos chama-se Eixo de Cames. Essa regra usa uma circunferência com eixo fora do centro ou um disco para que o movimento aplicado provoque uma deslocação em linha reta. Nas bicicletas de estrada, o aperto rápido tem uma medida menor na frente e uma maior atrás, e apertam do lado oposto ao da transmissão, ou seja, o lado esquerdo da bike.

A peça foi inventada no final dos anos de 1920 por Tulio Campagnolo, um ciclista que pedalava à chuva e ao frio, e com as mãos geladas não conseguia retirar as porcas e fazer a mudança da roda. A invenção foi copiada por diversos modelos e marcas de bicicleta e não poderia ser mais popular. Mas existem três erros comuns que são cometidos por quem tem rodas com aperto rápido e que precisam de ser corrigidos para garantir a segurança.

Erros na utilização do aperto rápido

1. Andar com a alavanca aberta

Este ainda é um erro comum, principalmente entre iniciantes ou ciclistas que usam o aperto rápido há pouco tempo. A alavanca do aperto rápido deve estar sempre fechada. É importante rodar o aperto rápido pela contra-porca até estar apertado o suficiente e depois fechar a alavanca. Estar somente com a roda apertada, mas com a alavanca aberta ou para cima, ainda mantem a roda “solta”, o que pode provocar desconforto com a roda durante a pedalada e mesmo acidentes.

Os apertos rápidos, geralmente, têm a indicação “close” (fechado) e “open” (aberto) nas suas alavancas. Garante que o “close” esteja virado para o lado externo quando terminares de ajustar o aperto rápido.

2. Apertar demasiado

Outro dos problemas de muitos ciclistas é que apertam demasiado a chaveta. Isso pode provocar fissuras nos quadros, particularmente os de carbono. Além disso, outro erro muito comum e relacionado com este, é apertar a chaveta de forma a deixar pouco espaço para colocar os dedos no momento de abrir novamente.

É importante que ao fecharmos a chaveta consigamos ter espaço para colocar os dedos, pois caso esteja demasiado apertada, podemos não conseguir abrir com as mãos. Claro que numa situação de um passeio ocasional, tudo se resolve demorando mais tempo. Mas para quem faz competição e necessita de trocas rápidas, este é um erro muito comum.

3. Usar certos tipos de aperto rápido em rodas de travão de disco

Algumas marcas fabricam apertos rápidos que abrem mais de 180 graus, ou seja, as alavancas fazem um movimento maior do que o tradicional sobe e desce. Se tens uma roda com travão de aro, isso não será um problema, porém o uso desse tipo de aperto rápido pode ser perigoso nas rodas de travão de disco porque a alavanca pode abrir e prender no disco, provocando um acidente sério.

O ideal para quem tem travões de disco, é utilizar os novos apertos especiais para disco, os chamados eixos passantes, que não necessitam de uma contraporca, que inclusive também já apertam no lado oposto ao disco, e têm um sistema de rosca mais elaborado. Claro que isso vai sempre depender do tipo de eixo que a roda tem, e se é ou não compatível com este último que mencionei.

Para rodas de disco, os apertos rápidos devem ser diferentes dos de travão de aro, e por isso a sua mecânica é ligeiramente diferente.

Autor: Tiago Torres, Segredos do Ciclismo